Teardrops and Wine

Poesia

Maio 14, 2008 · Não Há Comentários

Todo mundo que se atreve a escrever poemas, sempre tem um que se intitula nada… Bem, eu também tenho o meu:

Nada

 

Não queira entender o que eu falei

Na maioria das vezes não quis dizer nada

Pois um poeta é um ser vazio

De concretas verdades abstratas

 

É uma dor anestesiada

É fogo que provoca calafrio

De um real que faz sentido

Contra a corrente de um rio

 

É trovoada no estio

É o que multiplica o dividido

São meras palavras

Que contem no incontido

 

Não juntes o repartido

Pois são mentiras encravadas

De segredos insondáveis

Das verdades reveladas

 

Nestas frases emaranhadas

Há feridas incuráveis

Não se acha o que procura

São fortalezas vulneráveis

 

Não consegues ver pois são indecifráveis

Atrás da macula há candura

Não há razão no que cantei

Mas vejo no pano negro a alvura

 

Escrever é coisa que não tem cura

São coisas que nem mesmo sei

Falo demais e sou tão calada

Coisas perdidas que achei

 

Não queira entender o que eu falei

Na maioria das vezes não quis dizer nada

Pois um poeta é um ser vazio

De concretas verdades abstratas.

Categorias: Literatura · poema · poesia

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