Todo mundo que se atreve a escrever poemas, sempre tem um que se intitula nada… Bem, eu também tenho o meu:
Nada
Não queira entender o que eu falei
Na maioria das vezes não quis dizer nada
Pois um poeta é um ser vazio
De concretas verdades abstratas
É uma dor anestesiada
É fogo que provoca calafrio
De um real que faz sentido
Contra a corrente de um rio
É trovoada no estio
É o que multiplica o dividido
São meras palavras
Que contem no incontido
Não juntes o repartido
Pois são mentiras encravadas
De segredos insondáveis
Das verdades reveladas
Nestas frases emaranhadas
Há feridas incuráveis
Não se acha o que procura
São fortalezas vulneráveis
Não consegues ver pois são indecifráveis
Atrás da macula há candura
Não há razão no que cantei
Mas vejo no pano negro a alvura
Escrever é coisa que não tem cura
São coisas que nem mesmo sei
Falo demais e sou tão calada
Coisas perdidas que achei
Não queira entender o que eu falei
Na maioria das vezes não quis dizer nada
Pois um poeta é um ser vazio
De concretas verdades abstratas.
0 responses so far ↓
There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.
Deixe seu comentário